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segunda-feira, outubro 22, 2012

Fragmentos e Transições.


Em minha boca entreaberta,
As frases são vertiginosas.
Reflexões e fragmentos,
De uma mente ciosa.

Não vejo meu olhar.
A luz a muito se perdeu.
Nas voltas e curvas,
Não se acha mais meu eu

Ainda há algo a sobejar?
Promessas vazias, vultos ausentes
Atos cruéis que surgem
Esmagam meus sonhos latentes.

Em meu mundo sereno
ninguém fica, ou vê.
Nada sabem...
Não existem contos, ou encantos
que me façam olvidar.

domingo, outubro 14, 2012

Palato


No céu da boca sem estrelas, sinto o sabor sem gosto, e o desgosto de sorrir.
Em amarga alegria que azeda o medo, que engasga a distância, que faz mal, e retira a esperança.
Cálida língua embarga a solidão, soluça o som rouco da garganta, que emite em nós.


quinta-feira, outubro 11, 2012

Jugo 3#

Lhe vem a mente pura e púrpura.
Te prega peça,
Te leva a reza.
Te faz de manto e cria o pranto.
Engole do coro o choro.
Dança e sorri com confiança.
Te faz de tolo e engana o povo.
De verde o preto é pintado.
De vermelho o fazem amado.
Te vem em gozo,
Te mata aos poucos.
E Ressurge em lápide, com pele égide.

domingo, outubro 07, 2012

Por enquanto...Poemas do Povo da Noite...

Hoje emprestarei as palavras de Cássia Eller, e de Pedro Tierra...





Fui assassinado.
Morri cem vezes
e cem vezes renasci
sob os golpes do açoite.

Meus olhos em sangue
testemunharam
a dança dos algozes
em torno do meu cadáver.

Tornei-me mineral
memória da dor.
Para sobreviver,
recolhi das chagas do corpo
a lua vermelha de minha crença,
no meu sangue amanhecendo
( Pedro Tierra)

sexta-feira, outubro 05, 2012

Jugo 2#

Em vida que permeia a morte.
Invade-lhe as narinas o cheiro de terra molhada.
Pequenos tilintares são ouvidos ao longe.
E ele, ali, sentado permanece.

Vira vagarosamente a página de seu livro,
Enquanto lê atentamente,
Aparentemente, alheio a cena a frente.
Um espectador, que tenta impedir pensamentos virem a mente.

Lá fora só há sol,
E o som insistente de um esguicho de mangueira.
Nem vida, nem alma passam por ali.
Apenas o leitor, o livro, e o espectador.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Jugo



















Desfila o pagão em fogo encrustado de rubis.
Iluminado sonho diurno.
Caí como densa chuva.
Cega, inunda, gela.


Cativa, e bambeia as pernas.

Amarras e lâminas se completam com um sorriso gentil.
Um toque quente e o sabor de sangue preenchendo a boca.
Os gritos permanentes na garganta.
Olhos sem brilho.

Horas sem esperança.
Toma lhe a seiva das tenras plantas.
Enfim então, anda o atroz,
E cativa o inocente.
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