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domingo, fevereiro 22, 2015

Soturno.

Abri os olhos, mas permaneci letargo.

Consegue sentir esse véu que te sufóca?

É capaz de apalpar a densidade de seus ossos, ou permanece oco e quebradiço?

Venha, irá ser divertido depois do anoitecer...

Na ausência da luz você será capaz de me ver...


domingo, abril 27, 2014

Perdida

Subiu e foi.

Caminhando além da margem do rio trovejante.

Ébria com o aroma das damas da noite...

Tomou-lhe das mãos o cálice de tulipas e

engoliu aos poucos o líquido amarelado.

Mesmo assim, afogou-se no gozo da desgraça, que lhe escorria pelos cantos da boca.

segunda-feira, março 17, 2014

Ruínas

Em vôo noturno,
Minhas asas em cinzas.
Me levam para baixo,
Caindo em círculos.
As mãos feridas.
Os pulmões vazios
Pagando o preço por viver no paraíso.

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Apenas palavras...


Como dizer que me parte em pedaços?
Que cada esquina de meu corpo se fraciona ao lhe avistar?
O desígnio de minha vida foi-se embora. E tudo mais que a redoma consistente, escondia tão engenhosamente.
Então escorre em rio as lembranças. Se torna doloroso curvar as pálpebras.
A pouca luz me acalma. Afinal, depois da chuva vem a bonança.
Há um "para sempre" que teima em vir, como um sopro suave e com aroma salgado do mar.
E as gotas de chuva escoam. E finalmente cairá sobre esse corpo, e molhará.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Escóis...

Dentre sua flor,
Um esconderijo ressurge.
Segue-lhe manso.
Vem maciço e duro.

Segue-lhe a lança,
De gestos e ternura.
Solta o perfume no ar,
Vem dissolvendo o olhar.

De pó a chuva.
De água a barro.
De corte a sangue.
De ramo a favo.

Segue-lhe brando.
Resseca  o pranto.
Cega o encanto.
E despe-lhe o manto.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Fragmentos e Transições.


Em minha boca entreaberta,
As frases são vertiginosas.
Reflexões e fragmentos,
De uma mente ciosa.

Não vejo meu olhar.
A luz a muito se perdeu.
Nas voltas e curvas,
Não se acha mais meu eu

Ainda há algo a sobejar?
Promessas vazias, vultos ausentes
Atos cruéis que surgem
Esmagam meus sonhos latentes.

Em meu mundo sereno
ninguém fica, ou vê.
Nada sabem...
Não existem contos, ou encantos
que me façam olvidar.

domingo, outubro 14, 2012

Palato


No céu da boca sem estrelas, sinto o sabor sem gosto, e o desgosto de sorrir.
Em amarga alegria que azeda o medo, que engasga a distância, que faz mal, e retira a esperança.
Cálida língua embarga a solidão, soluça o som rouco da garganta, que emite em nós.


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